O que é Back Redirect e quando usar no seu checkout
Entenda como funciona o Back Redirect, a técnica que redireciona quem clica em voltar no checkout, quando ela faz sentido e os cuidados antes de implementar.
Por Pedro Craveiro · · 8 min de leitura
O cliente chegou até o checkout, pensou duas vezes e clicou em "voltar". Na maioria das lojas, essa venda se perde ali. O Back Redirect é uma técnica criada para dar uma última chance a esse momento.
O que é Back Redirect
Back Redirect é uma técnica que redireciona o usuário para uma nova página quando ele clica no botão "voltar" do navegador. Em vez de retornar à página anterior, ele vê uma página definida pelo gestor, normalmente com uma oferta para recuperar a venda.
É uma técnica comum em e-commerce e em ofertas de resposta direta, principalmente em páginas de conversão: carrinho, checkout, pagamento e fechamento de pedido.
Como funciona
Os navegadores mantêm um histórico das páginas visitadas. O Back Redirect usa a API de histórico do navegador para adicionar uma entrada extra nesse histórico quando a página carrega. Quando o usuário clica em "voltar", a página percebe a navegação e envia o visitante para outro endereço, em vez de deixá-lo sair.
Na prática, o redirecionamento costuma levar para:
- uma oferta de downsell, com um preço menor ou uma versão mais simples do produto;
- um desconto ou brinde para concluir a compra agora;
- um pacote com melhor custo-benefício;
- novas formas de pagamento, como habilitar Pix e boleto para quem travou no cartão;
- uma página que responde às objeções mais comuns de quem desiste no checkout.
Vantagens do Back Redirect
As taxas de rejeição em páginas de compra são um dos maiores desafios de quem vende online. Ao mostrar algo atrativo no momento em que o cliente desiste, o Back Redirect transforma parte dos abandonos em pedidos. As principais vantagens são:
- aumento das vendas, recuperando clientes que já estavam no fim do funil;
- diminuição da rejeição nas páginas de conversão, já que o visitante recebe uma nova proposta em vez de simplesmente sair.
Exemplo de script
Abaixo está um script de Back Redirect muito usado em páginas de checkout. Ele vai no HTML da página onde o redirecionamento deve acontecer:
<!-- Back Redirect -->
<script>
!(function () {
var url = window.location.href;
url = url.split("?");
var t;
try {
for (t = 0; 10 > t; ++t) history.pushState({}, "", "");
onpopstate = function (t) {
t.state &&
location.replace(
"https://exemplo.com/oferta-especial?" + url[1]
);
};
} catch (o) {}
})();
</script>
O que cada parte faz
!(function () { ... })();: é uma função que executa a si mesma assim que a página carrega (IIFE). Isso evita que as variáveis do script vazem para o resto da página. O!no início só serve para o navegador interpretar a função como uma expressão e executá-la na hora.var url = window.location.href; url = url.split("?");: pega o endereço atual e separa em duas partes: antes e depois do?. Assim,url[1]guarda os parâmetros da URL, comoutm_source,utm_campaigne IDs de clique.for (t = 0; 10 > t; ++t) history.pushState({}, "", "");: adiciona 10 entradas falsas ao histórico do navegador, todas apontando para a mesma página e sem recarregá-la. Cada uma recebe um objeto vazio{}como "estado". Na prática, o usuário precisaria clicar em voltar várias vezes para sair de verdade.onpopstate = function (t) { ... }: registra uma função que o navegador executa sempre que o usuário navega pelo histórico, por exemplo ao clicar em voltar.t.state && ...: confere se a entrada para onde o usuário voltou é uma das que o script criou. Essas entradas têm o estado{}, que conta como verdadeiro; a entrada original da página tem estadonull. Só no primeiro caso o redirecionamento acontece.location.replace("https://exemplo.com/oferta-especial?" + url[1]): leva o usuário para a página de oferta e repassa os parâmetros da URL original, para que pixels e ferramentas como o RedTrack não percam a atribuição da venda. Oreplacesubstitui a entrada atual do histórico, em vez de criar uma nova.try { ... } catch (o) {}: se algo der errado (um navegador antigo ou um ambiente que bloqueia a API de histórico), o erro é ignorado e a página continua funcionando normalmente.
Pontos de atenção neste script
?undefinedsem parâmetros: se a página for acessada sem nada depois do?,url[1]ficaundefinede o redirecionamento vai para...oferta-especial?undefined. Usarwindow.location.searchresolve isso.- 10 entradas no histórico: encher o histórico de entradas falsas é justamente o comportamento que os navegadores combatem. O Chrome ignora entradas criadas sem interação do usuário, e plataformas de anúncio podem reprovar a página. Uma entrada já é suficiente para detectar o clique em voltar.
Uma versão mais enxuta
-- Aqui precisamos dar a possibilidade de copiar de forma fácil
<!-- Back Redirect -->
<script>
(function () {
var redirectUrl = "https://exemplo.com/oferta-especial";
try {
// Cria uma única entrada extra no histórico, apontando para a mesma página
history.pushState({ backRedirect: true }, "", window.location.href);
// Ao clicar em voltar, leva para a oferta mantendo UTMs e IDs de clique
window.addEventListener("popstate", function () {
window.location.replace(redirectUrl + window.location.search);
});
} catch (error) {
// Navegadores sem suporte seguem com o comportamento normal
}
})();
</script>
Ela faz o mesmo com uma única entrada no histórico, repassa os parâmetros só quando eles existem e deixa claro, em comentários, o que cada trecho faz. Coloque o script apenas nas páginas em que o redirecionamento faz sentido, como o checkout, e nunca em páginas institucionais ou de conteúdo.
Quando faz sentido usar
- Checkouts com alto abandono: se muitos clientes chegam ao pagamento e desistem, uma oferta alternativa pode recuperar parte dessas vendas.
- Ofertas com downsell bem definido: funciona melhor quando existe uma alternativa real para quem achou a oferta principal cara.
- Tráfego que já demonstrou intenção: quem chegou ao checkout já está perto da decisão, então uma segunda proposta tem mais chance de funcionar do que em uma página de topo de funil.
Cuidados antes de implementar
Back Redirect mexe com um comportamento que o usuário espera ser previsível. Usado sem critério, pode gerar o efeito contrário.
- Experiência do usuário: impedir alguém de sair causa estranhamento e frustração. A página de destino precisa entregar algo realmente útil, e o usuário deve conseguir sair se quiser.
- Perfil do público: alguns públicos aceitam bem uma segunda oferta; outros veem a técnica como insistência e perdem a confiança na marca. Se o seu cliente tende a se irritar com isso, a técnica vira um tiro pela culatra.
- Políticas de anúncios: plataformas de anúncio têm regras sobre a experiência das páginas de destino e podem reprovar páginas que dificultam a navegação. Revise as políticas da plataforma que você usa antes de colocar a técnica no ar.
- Comportamento dos navegadores: navegadores como o Chrome passaram a ignorar entradas de histórico criadas sem interação do usuário. Por isso, a técnica pode não funcionar para todos os visitantes, e os resultados precisam ser medidos.
- Medição: compare taxa de conversão, chargebacks e reclamações com e sem o Back Redirect. Se a recuperação de vendas vier acompanhada de mais estornos, a conta não fecha.
Back Redirect e o pós-compra
Recuperar uma venda no checkout é só metade do trabalho. Um cliente que comprou depois de uma segunda oferta precisa de uma experiência pós-compra clara para não se arrepender e abrir uma disputa. Falamos sobre isso em Como uma área de membros pós-compra reduz chargebacks.
Quer entender outros termos do mercado? Veja o nosso glossário de marketing de resposta direta.